Por Dra. Camilla Duarte Silva — CRM 129644 SP | RQE 36587 — Oftalmologista, especialista em Plástica Ocular (FMUSP/HC-FMUSP/Hospital Sírio-Libanês). Publicado em 29 de maio de 2026.
A saúde dos olhos vai muito além de enxergar bem. Existe uma complexa engrenagem invisível responsável por lubrificar, proteger e drenar as impurezas da nossa superfície ocular a cada piscar. Quando essa engrenagem falha, especificamente no escoamento das lágrimas, o resultado pode ser devastador para a qualidade de vida do paciente. Um dos quadros mais dolorosos e preocupantes decorrentes dessa falha é a dacriocistite, uma infecção aguda ou crônica do saco lacrimal provocada pela estagnação das lágrimas.
Com base em um caso clínico real de meu consultório aqui no bairro de Perdizes, em São Paulo, detalho como a união entre a oftalmologia e a otorrinolaringologia, por meio da cirurgia de Dacriocistorrinostomia endoscópica endonasal, oferece uma solução, segura e livre de cicatrizes faciais para pacientes que sofrem com infecções recorrentes no canto dos olhos.
O que é Dacriocistite e por que ela acontece?
A dacriocistite é a inflamação e infecção do saco lacrimal, que ocorre quase sempre de forma secundária à obstrução do ducto nasolacrimal. Esse bloqueio impede o escoamento natural das lágrimas, gerando um acúmulo de líquido e detritos que serve de meio de cultura para a proliferação acelerada de bactérias patogênicas.
O sistema de drenagem das lágrimas começa nos pontos lacrimais, localizados no canto interno das pálpebras superiores e inferiores. Ao piscar, as lágrimas lubrificam os olhos e são empurradas para esses pequenos orifícios, seguindo pelos canalículos superior e inferior até o canalículo comum. Daqui, o líquido entra no saco lacrimal e desce pelo ducto nasolacrimal até desembocar no nariz, abaixo da concha inferior.
Quando ocorre uma obstrução nesse trajeto, o fluxo cessa. Para compreender melhor os sintomas iniciais dessa obstrução, recomendamos ler nosso artigo completo sobre entupimento do canal lacrimal. A estagnação das lágrimas cria um ambiente quente, úmido e rico em nutrientes, ideal para bactérias como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. O saco lacrimal inflama rapidamente, gerando dor intensa, vermelhidão, inchaço localizado no canto do olho (região do tendão cantal medial) e saída de secreção purulenta ao pressionar o local.
Quais são as causas do entupimento do canal lacrimal em adultos?
O entupimento do canal lacrimal em adultos é causado majoritariamente por alterações involucionais decorrentes do envelhecimento, que promovem estenose idiopática do ducto nasolacrimal. Outros fatores incluem traumas na face, cirurgias nasais prévias, infecções repetidas, dacriólitos (cálculos lacrimais), tumores e o uso contínuo de colírios específicos ou quimioterápicos.
Embora a obstrução congênita seja comum em recém-nascidos devido à persistência de uma membrana na válvula de Hasner (que costuma se resolver espontaneamente até o primeiro ano de vida), a obstrução adquirida no adulto apresenta uma epidemiologia e etiologia distintas. Ela exibe uma distribuição bimodal, sendo muito mais frequente em mulheres acima dos 40 anos de idade, devido ao diâmetro anatômico naturalmente mais estreito de seus canais ósseos nasolacrimais.
Para compreender melhor como o lacrimejamento excessivo se manifesta em diferentes faixas etárias, consulte nossos artigos sobre qual a diferença entre lacrimejamento e epífora e especialmente sobre epífora em idosos: quando o lacrimejamento precisa de atenção.
A tabela abaixo compara detalhadamente as diferentes etiologias da obstrução das vias lacrimais no paciente adulto, auxiliando na compreensão de sua origem multifatorial:
| Categoria Etiológica | Mecanismo Fisiopatológico | Fatores de Risco Associados |
|---|---|---|
| Involucional (Idiopática) | Fibrose gradual e estreitamento do lúmen do ducto devido ao envelhecimento dos tecidos. | Idade superior a 50 anos, sexo feminino, predisposição genética. Saiba mais em nosso artigo sobre epífora em idosos. |
| Traumática | Fraturas de ossos da face (nasoetmoidal ou maxilar) que esmagam ou cizalham o canal ósseo. | Acidentes automobilísticos, agressões físicas, traumas esportivos. |
| Iatrogênica | Danos acidentais à via lacrimal durante procedimentos cirúrgicos nasais ou faciais. | Septoplastia, cirurgia de seios da face, maxilectomia, rinoplastia. |
| Infecciosa / Inflamatória | Cicatrização e estenose após episódios repetidos de conjuntivite ou dacriocistite. | Infecções bacterianas crônicas, sinusite crônica de repetição. |
| Litiásica (Dacriólitos) | Formação de cálculos por acúmulo de células epiteliais descamadas, lipídios e fungos (Actinomyces). | Higiene palpebral inadequada, olho seco crônico, estase lacrimal crônica. |
| Medicamentosa | Inflamação e fibrose cicatricial induzida quimicamente no revestimento mucoso do canal. | Uso de colírios de timolol, pilocarpine, fluorouracil, docetaxel, iodo radioativo. |
| Neoplásica | Compressão extrínseca ou obstrução intrínseca por tumores benignos ou malignos. | Papilomas, carcinomas de saco lacrimal, tumores sinonasais. |
Como é feito o diagnóstico preciso da obstrução baixa?
O diagnóstico preciso da obstrução baixa da via lacrimal baseia-se na história clínica detalhada, no exame físico com sondagem das vias lacrimais e no teste de desaparecimento da fluoresceína. Exames complementares de imagem, como a dacriocistografia e a ressonância magnética, são fundamentais para mapear o nível exato do bloqueio e planejar a cirurgia.
Quando um paciente chega ao consultório queixando-se de lacrimejamento constante (epífora) e infecções recorrentes, iniciamos uma propedêutica armada. Se você sofre com essa condição, descubra o que pode estar causando seu lacrimejamento em nosso artigo dedicado ao tema. O primeiro passo é o Teste de Desaparecimento da Fluoresceína (DDT). Pingamos uma gota do corante fluoresceína na conjuntiva e observamos o olho sob a lâmpada de fenda. Se após 5 minutos o corante persistir de forma assimétrica no olho afetado, há uma falha na drenagem.
Para determinar se a obstrução é alta (nos pontos ou canalículos) ou baixa (no saco lacrimal ou ducto nasolacrimal), realizamos a sondagem e irrigação da via lacrimal. Introduzimos uma micro-sonda delicada pelos pontos lacrimais. Se a sonda avançar até tocar a parede óssea nasal (sensação de hard stop), confirmamos que os canalículos estão pérvios e a obstrução é baixa (pós-sacal). Se houver um bloqueio elástico antes de tocar o osso (soft stop), a obstrução é alta.
A Dacriocistografia é o exame radiográfico padrão-ouro. Injeta-se contraste radiopaco pelos canalículos enquanto radiografias são tiradas. Ela revela o tamanho e o contorno do saco lacrimal. Sacos lacrimais de tamanho normal ou dilatados (mucocele) indicam excelente prognóstico para a cirurgia de dacriocistorrinostomia. Em casos complexos, a Ressonância Magnética (RM) de órbitas e seios da face ajuda a caracterizar lesões císticas e descartar tumores ou compressões extrínsecas.
Relato de Caso: A jornada de uma paciente de 50 anos
Para ilustrar a gravidade dessa condição e a eficácia do tratamento integrado, compartilho o caso de uma paciente de 50 anos que atendi em meu consultório em Perdizes, São Paulo.
A paciente apresentava uma história de um ano de infecções agudas dolorosas no canto interno do olho direito (região do saco lacrimal). Ela já havia sofrido dois episódios graves de dacriocistite aguda. Em um deles, a infecção foi tão severa que evoluiu com celulite pré-septal, exigindo internação hospitalar para administração de antibióticos por via intravenosa. No terceiro episódio agudo, foi realizada uma punção e drenagem cirúrgica do abscesso do saco lacrimal na tentativa de aliviar a dor e esvaziar o pus.
Como complicação dessa punção na pele inflamada, a paciente desenvolveu uma fístula cutânea — um pequeno canal anômalo que conectava o saco lacrimal diretamente à pele do rosto. Embora esteticamente incômoda, a fístula acabou funcionando como uma válvula de escape temporária: ao pressionar o canto do olho, a paciente conseguia esvaziar a secreção purulenta pela fístula, o que evitou novos episódios de infecção aguda sistêmica, dando-lhe tempo para se organizar e buscar um tratamento definitivo. Para entender melhor como o esvaziamento de secreção do saco lacrimal funciona nessas situações, consulte nosso artigo especializado sobre o tema.
Avaliação e o Planejamento Cirúrgico
A paciente trouxe uma dacriocistografia do lado direito que mostrava o contraste injetado acumulando-se no saco lacrimal, sem progredir para o nariz. Havia uma dúvida diagnóstica se o contraste realmente entrava no saco ou se a obstrução era alta. Uma ressonância magnética prévia havia identificado uma modulação cística bem delimitada na topografia do saco lacrimal, mas sem conseguir precisar se estava dentro ou fora da via lacrimal.
No exame físico em meu consultório, realizei a sondagem cuidadosa da via lacrimal. Consegui introduzir a sonda tanto pelo ponto superior quanto pelo inferior e sentir nitidamente o toque no osso nasal (hard stop). Esse achado clínico foi o divisor de águas: ele deu a certeza de que os canalículos estavam totalmente desimpedidos e que a obstrução era baixa (no ducto nasolacrimal), confirmando que a paciente era a candidata ideal para a cirurgia de Dacriocistorrinostomia.
O que é a Dacriocistorrinostomia Endoscópica?
A dacriocistorrinostomia endoscópica endonasal é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva que cria um novo canal de drenagem entre o saco lacrimal e a cavidade nasal por dentro do nariz. Realizada com o auxílio de endoscópios e câmeras de alta definição, ela elimina a necessidade de incisões externas na pele do rosto do paciente.
Historicamente, a dacriocistorrinostomia era realizada exclusivamente pela via externa (técnica de Toti), que exige uma incisão de 1 a 2 centímetros na pele do canto do olho, osteotomia (abertura do osso) externa e sutura. Embora eficaz, a via externa deixa uma cicatriz na face e secciona as fibras do músculo orbicular, que desempenha um papel crucial no mecanismo de "bomba lacrimal" que ajuda a sugar as lágrimas para dentro do canal.
Graças aos avanços da cirurgia endoscópica nasal, hoje realizamos a dacriocistorrinostomia por via endonasal. Essa cirurgia é realizada em caráter de parceria multidisciplinar entre o oftalmologista especializado em plástica ocular e o otorrinolaringologista. Enquanto o otorrinolaringologista prepara o acesso nasal, afasta desvios de septo e abre a janela óssea por dentro do nariz sob visualização direta com endoscópio de 0º e 45º, o oftalmologista realiza a sondagem, identifica o saco lacrimal por transiluminação e faz a abertura precisa da mucosa do saco, unindo as duas cavidades.
No caso da nossa paciente, o procedimento foi realizado em parceria com o meu colega otorrinolaringologista, Dr. Daniel. Além de criar o novo caminho para a lágrima por dentro do nariz, realizamos simultaneamente a exploração e a remoção completa da fístula cutânea e do tecido cicatricial endurecido ao redor dela na pele do rosto, garantindo um resultado estético excelente e a cura funcional completa.
Como funciona a Sonda de Crawford e qual sua importância?
A sonda de Crawford é um dispositivo temporário de intubação bicanalicular feito de silicone médico cirúrgico extremamente flexível. Ela é inserida através dos pontos lacrimais superior e inferior, passando pelo novo canal criado na cirurgia até o nariz, com a função de moldar a via e impedir que a cicatriz feche o novo trajeto.
A cicatrização é um processo biológico potente. Sem um molde interno, o novo orifício criado entre o saco lacrimal e o nariz corre o risco de sofrer estenose (fechamento por fibrose ou tecido de granulação) nas primeiras semanas pós-operatórias. A sonda de Crawford atua como um "stent" ou tutor temporário que mantém o caminho aberto e pérvio enquanto os tecidos internos cicatrizam e se epitelizam.
A sonda de silicone é bicanalicular, o que significa que ela entra por um ponto lacrimal, passa pelo saco, sai no nariz e volta pelo outro ponto, formando um arco suave e quase invisível no canto do olho. Ela é extremamente bem tolerada pelo paciente, não causa dor e não interfere na visão ou no uso de colírios. No caso da nossa paciente, a sonda foi mantida por quatro semanas. A remoção da sonda de Crawford é um procedimento simples, indolor e realizado inteiramente no consultório médico, sem necessidade de nova anestesia ou retorno ao centro cirúrgico.
h2>Quais são as vantagens da dacriocistorrinostomia por via endoscópica?As principais vantagens da dacriocistorrinostomia endoscópica em relação à externa incluem a ausência de cicatriz na pele do rosto, a preservação do músculo orbicular e do mecanismo de bomba lacrimal, menor sangramento intraoperatório, recuperação pós-operatória mais rápida e indolor, e maior facilidade em cirurgias revisionais de casos que falharam na técnica externa.
A decisão entre realizar a cirurgia por via externa ou endoscópica depende de uma avaliação minuciosa. Embora ambas apresentem taxas de sucesso elevadas e comparáveis, a via endoscópica tem se tornado a escolha preferencial de médicos e pacientes devido aos seus inúmeros benefícios práticos e estéticos.
A tabela a seguir confronta os principais aspectos das duas técnicas cirúrgicas, evidenciando por que a abordagem endoscópica representa um avanço significativo:
| Aspecto Comparativo | Dacriocistorrinostomia Externa (Clássica) | Dacriocistorrinostomia Endoscópica (Moderna) |
|---|---|---|
| Incisão na Pele | Exige corte de 10 a 20mm no canto interno do olho. | Nenhuma. Todo o procedimento é feito por dentro das narinas. |
| Cicatriz Facial | Deixa cicatriz visível, que pode evoluir com hipertrofia ou queloide. | Ausente. Preserva integralmente a estética facial do paciente. |
| Bomba Lacrimal | Secciona fibras do músculo orbicular, prejudicando o bombeamento ativo da lágrima. | Preservada. Mantém a integridade muscular e a fisiologia da drenagem. |
| Sangramento | Moderado, devido à rica vascularização da pele e subcutâneo da face. | Mínimo. Controlado por infiltração local precisa e visualização endoscópica. |
| Dor Pós-Operatória | Leve a moderada, exigindo analgésicos mais fortes devido ao trauma tecidual. | Mínima ou ausente. Pacientes relatam apenas discreto desconforto nasal. |
| Tratamento Associado | Não permite tratar problemas nasais no mesmo tempo cirúrgico. | Permite. Possibilita realizar septoplastia ou cirurgia de sinusite concomitante. |
| Casos Revisionais | Difícil reoperação devido à fibrose e perda de marcos anatômicos externos. | Facilitada. Permite visualizar e abrir diretamente a área estenosada por dentro. |
| Taxa de Sucesso | Cerca de 90% em mãos experientes. | Cerca de 80% a 90% (79,12% em estudos de curva de aprendizado). |
Como é o pós-operatório da Dacriocistorrinostomia?
O pós-operatório da DCR endoscópica é surpreendentemente tranquilo e praticamente indolor. Nas primeiras semanas, o paciente deve realizar lavagens nasais frequentes com soro fisiológico, aplicar colírios antibióticos e anti-inflamatórios e evitar esforços físicos intensos ou assoar o nariz com força para prevenir sangramentos.
A recuperação da nossa paciente de 50 anos seguiu o protocolo padrão de excelência. Na primeira semana pós-operatória, ela realizou lavagens nasais abundantes com soro fisiológico para remover crostas e evitar a formação de sinéquias (aderências) dentro do nariz. Prescrevemos colírio combinado de antibiótico e corticoide para reduzir a inflamação ao redor da sonda de silicone e evitar granulomas.
Com duas semanas de pós-operatório, realizamos o teste de desaparecimento da fluoresceína. O corante desapareceu rapidamente do olho direito de forma idêntica ao olho esquerdo (que era normal), provando que o novo canal já estava totalmente ativo e drenando perfeitamente, mesmo com a sonda de Crawford ainda posicionada.
Com um mês de cirurgia, procedemos à remoção da sonda de silicone no consultório. O exame endoscópico nasal mostrou que a nova fístula lacrimal estava ampla, totalmente epitelizada e drenando diretamente para o meato médio do nariz. A paciente evoluiu com cura completa: sem lacrimejamento, sem acúmulo de secreção, sem dor e, crucialmente, sem novos episódios de infecção. A fístula cutânea antiga desapareceu por completo após a remoção cirúrgica de seu trajeto fibroso, devolvendo a harmonia estética ao seu rosto.
Perguntas sobre Dacriocistite e Cirurgia de Via Lacrimal que costumo responder
Qual o tempo ideal para a compressa morna na dacriocistite aguda?
O tempo ideal para a aplicação de compressas mornas na dacriocistite aguda é de 10 a 15 minutos, de 3 a 4 vezes ao dia. A compressa morna promove a vasodilatação local, o que aumenta o aporte de células de defesa e antibióticos sistêmicos ao tecido infectado, além de ajudar a liquefazer a secreção purulenta espessa acumulada dentro do saco lacrimal, facilitando sua drenagem natural ou expressão controlada pelo médico. Ela nunca deve substituir o tratamento com antibióticos prescrito pelo oftalmologista.
A cirurgia de canal lacrimal entupido é feita com anestesia geral ou local?
A dacriocistorrinostomia (DCR) endoscópica é realizada preferencialmente sob anestesia geral. A anestesia geral oferece maior segurança e conforto para o paciente, pois protege as vias aéreas contra o escoamento de sangue ou fluidos durante o procedimento nasal. Além disso, permite ao cirurgião realizar a infiltração de soluções vasoconstritoras de forma mais eficaz, minimizando o sangramento local e garantindo uma visualização perfeita através do endoscópio. Em casos muito selecionados ou contraindicações médicas, pode ser considerada a sedação profunda associada ao bloqueio anestésico local.
Quanto tempo depois da cirurgia o silicone (sonda de Crawford) é retirado?
O silicone ou sonda de Crawford é retirado geralmente entre 4 semanas e 3 meses após a cirurgia. Esse período varia conforme a gravidade da obstrução inicial, a presença de fibrose prévia (como em casos de reoperação) e a qualidade da cicatrização observada nas consultas de acompanhamento. No caso clínico relatado, a sonda foi removida com sucesso após 4 semanas, pois a paciente apresentava excelente cicatrização mucosa e ausência de granulomas na avaliação endoscópica nasal.
O entupimento do canal lacrimal pode voltar depois da cirurgia?
Sim, existe um risco de re-obstrução (recidiva) que varia entre 10% e 20% dos casos, dependendo da técnica utilizada e das características individuais do paciente. A principal causa de falha da cirurgia é o fechamento do novo orifício por tecido cicatricial excessivo (granuloma) ou sinéquias dentro do nariz. Para minimizar esse risco, é fundamental seguir rigorosamente os cuidados pós-operatórios, realizar as lavagens nasais com soro fisiológico e comparecer às consultas semanais para limpeza de crostas sob visualização endoscópica.
É possível fazer a cirurgia de canal lacrimal e desvio de septo juntas?
Sim, perfeitamente. Uma das grandes vantagens da dacriocistorrinostomia endoscópica endonasal é a possibilidade de realizar procedimentos nasais associados no mesmo tempo cirúrgico. Se o paciente apresentar um desvio de septo obstrutivo ou hipertrofia de conchas nasais que dificulte o acesso cirúrgico ao saco lacrimal ou que prejudique sua respiração, o cirurgião otorrinolaringologista pode realizar a septoplastia ou a turbinectomia conjuntamente, otimizando o tempo de recuperação e anestesia do paciente.
A história da nossa paciente nos mostra que o sucesso no tratamento das vias lacrimais depende de dois pilares inegociáveis: um diagnóstico clínico preciso e uma abordagem terapêutica moderna e integrada. A diferenciação correta entre uma obstrução alta e baixa através do exame físico minucioso e da sondagem em consultório evitou exames desnecessários e direcionou a paciente diretamente para a cirurgia correta.
A dacriocistorrinostomia endoscópica, realizada em parceria com a otorrinolaringologia, provou ser a chave para devolver a saúde e o bem-estar a uma paciente que vivia sob a sombra de infecções graves e internações. Se você sofre com lacrimejamento constante, inchaço ou secreção no canto dos olhos, não espere a infecção se agravar. Descubra como a jornada do lacrimejamento crônico à visão restaurada pode ser sua história também. Procure uma avaliação oftalmológica especializada para investigar a saúde das suas vias lacrimais.
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